O desmatamento é desnecessário

quinta-feira, 02 de julho de 2009.

O desmatamento é desnecessário“Os governos devem evitar a apropriação das terras públicas, punir os crimes ambientais e criar oportunidades para remunerar a conservação florestal”.

A Amazônia perdeu cerca de 70 milhões de hectares para o desmatamento, uma área equivalente à França. É preciso desmatar mais?

Para quem se importa com outras espécies, o desmatamento é uma agressão à vida. Por ano, na última década, tombou cerca de 1 bilhão de árvores e foram desalojados ou mortos 32 milhões de aves e 1 milhão de macacos, entre outras vítimas.

Quem deseja evitar tragédias climáticas para seus descendentes se preocupa com as emissões dos gases de efeito estufa decorrentes do desmatamento. A metade do “peso” de uma árvore é carbono, e as queimadas para limpar o solo após o desmatamento na região respondem por mais de 50% das emissões brasileiras.

Porém, outros consideram o desmatamento indispensável para aumentar a produção agropecuária, que gera renda, empregos e impostos. Assim, não surpreende que a imprensa divulgue tantos conflitos entre ambientalistas e ruralistas.

A boa notícia é que esses conflitos são superáveis. É possível dobrar ou triplicar a produção agropecuária brasileira sem derrubar árvores. Para isso, segundo a Embrapa, seria necessário aumentar a produtividade das áreas já desmatadas, principalmente nos 100 milhões de hectares de pastos degradados no país.

Então, como vencer a contradição do fato de que é desnecessário desmatar, mas o desmatamento continua?

Para começar, é preciso entender para que e por que se desmata. Cerca de 75% da área desmatada na Amazônia é ocupada com pastos para a pecuária bovina – boa parte deles de baixa produtividade. Portanto, essa pecuária que desmata sem necessidade é uma inimiga a ser combatida.

As causas do desmatamento incluem falhas de políticas públicas e do mercado. Geralmente, é mais barato e mais lucrativo desmatar novas áreas do que investir no aumento da produtividade das áreas já desmatadas.

Isso decorre, em grande parte, do fato de que o Estado tem falhado em proteger as terras públicas, das quais muitos pecuaristas se apossaram gratuitamente. Por sua vez, a abundância da terra gratuita desfavorece o investimento para aumentar a produtividade das áreas desmatadas. Outra falha pública é a impunidade dos crimes ambientais. Nem 5% do valor total das multas é arrecadado.

A principal falha de mercado é o fato de que a conservação da floresta – que produz benefícios coletivos, como a regulação climática e a proteção da biodiversidade – não é remunerada. Além disso, a exigência dos consumidores por produtos de origem sustentável ainda é incipiente.

Portanto, para zerar o desmatamento, é preciso corrigir as falhas. Os governos devem evitar a apropriação das terras públicas, punir os crimes ambientais e criar oportunidades para remunerar a conservação florestal.

Uma oportunidade para obter recursos para compensar a conservação florestal é a negociação, em dezembro deste ano, de um acordo global sobre mudanças climáticas. Um dos temas é a redução das emissões do desmatamento global, que contribui com cerca de 20% das emissões totais.

Dado que evitar desmatamento é uma das opções mais baratas para evitar emissões, é plausível estabelecer um acordo pelo qual o Brasil seja compensado pelo desmatamento evitado. O país precisa aproveitar essa oportunidade.

Os representantes do povo devem ser estimulados nessas ações. Embora entendam o problema e a direção a seguir, precisam de força para vencer as reações de quem perde no curto prazo. Por exemplo, o presidente Lula, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e a senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Kátia Abreu, têm declarado que é possível aumentar a produção agropecuária sem desmatamento.

Além disso, em 2008, o governo federal tomou medidas corajosas contra o desmatamento. Mas as reações têm sido intensas. Aqueles que desejam que seus descendentes possam se maravilhar com a biodiversidade e não sofram com catástrofes climáticas devem estimular e cobrar nossos representes – antes e após o voto. Além disso, é preciso valorizar as marcas que respeitam a natureza. É preciso lembrar que bichos, árvores e nossos descendentes não votam nem vão ao mercado.

* Paulo Barreto, engenheiro florestal e mestre em ciências florestais pela Universidade Yale (EUA), é pesquisador sênior do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).

Publicado originalmente no jornal Folha de SP, 27/6, reproduzido com autorização do autor e da Folha.
(Envolverde/O autor)

Resíduos de biocombustíveis podem gerar novos materiais para a indústria aeronáutica

quarta-feira, 01 de julho de 2009.

Resíduos de biocombustíveis podem gerar novos materiais para a indústria aeronáuticaFinanciamento de R$ 1,7 milhão,  aprovado em (25/06) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)  para a Rede Tecnologia do Rio de Janeiro (Redetec), será aplicado no desenvolvimento de novos materiais renováveis a partir de resíduos do processo industrial de biocombustíveis. A Redetec reúne 47 universidades, centros de pesquisa e instituições de fomento fluminenses.

O secretário executivo da Redetec, Armando Augusto Clemente,  disse que  uma das principais aplicações desses novos materiais será na indústria aeronáutica.  “A Embraer tomou conhecimento do projeto e é uma das interessadas em usar esse tipo de material que você produz por meio desses rejeitos  para [fabricar] acessórios de avião, como painéis, por exemplo”.

O projeto será desenvolvido pela empresa Fibra Design Sustentável, que há cerca de dois anos e meio funciona na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi). Clemente esclareceu que parte dos recursos será usada  na construção do Laboratório de Materiais Sustentáveis, dentro das dependências da Esdi. Ali serão feitas todas as experiências com os novos materiais gerados por resíduos da produção de oleaginosas, entre as quais a mamona, o pinhão e o  girassol.

Bernardo Ferracioli, sócio e coordenador de projetos da Fibra Design Sustentável, revelou que a idéia é produzir materiais leves que possam ser usados na indústria aeronáutica. Ele não descartou, entretanto, que  os novos compósitos que vierem a ser desenvolvidos a partir dos resíduos dos biocombustíveis possam ser usados também em outras áreas.

Uma delas  é a produção de substitutos de compensados de madeira, de modo a reduzir o impacto na devastação das florestas. Outra aplicação dos novos compósitos pode ser na produção de plásticos para uso desde computadores até  o interior de automóveis.

Além de desenvolver produtos menos agressivos ao meio ambiente, acrescentou Farracioli, o projeto apresenta como vantagem a geração de  renda para o Nordeste do país. No caso da mamona em especial,  destacou que há um descarte muito grande do caule.

Como o programa de biocombustíveis brasileiro tem uma relação muito estreita com a agricultura familiar, Farracioli disse que a idéia é “juntar a universidade com a empresa privada para criar novos materiais e novas fontes de renda para os agricultores familiares”.

A tecnologia poderá, inclusive, ser replicada no próprio campo e agregar valor à cultura agrícola. O financiamento do BNDES é oriundo do Fundo Tecnológico (Funtec). O projeto tem valor total de R$ 2,1 milhões, incluindo s contrapartida do governo fluminense, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
(Envolverde/Agência Brasil)

União Européia ajudará a China a enterrar CO2

quarta-feira, 01 de julho de 2009.

União Européia ajudará a China a enterrar CO2A União Européia (UE) pretende gastar cerca de € 60 milhões entre 2009 e 2013 em cooperação com a China para a construção de uma usina de captura e armazenamento de carbono (CCS – carbon capture and storage), reportou o Euractiv.

O dinheiro viria do Programa Temático para o Meio Ambiente e Recursos Naturais e o objetivo é que a usina esteja em operacão bem antes do prazo final em 2020.

Os planos da UE envolvem a captação de € 300 a € 500 milhões para a construção de uma usina com emissões praticamente nulas. Em 2015, o bloco europeu pretende ter entre 10 e 12 projetos demonstrativos de CCS operacionais.

Além dos € 60 milhões, mais € 50 milhões podem ser disponibilizados para o design e a construção de uma usina demonstrativa de CCS, se “houver apoio político contínuo na China e progressos satisfatórios no projeto NZEC”.

O NZEC, ou Near Zero Emissions Coal, é um projeto de CCS conjunto da China e do Reino Unido assinado em 2005 como parte da Parceria UE-China sobre Mudanças Climáticas.

Cerca de 70% da demanda energética da China é suprida com carvão, sendo que somente em 2007 o país construiu o equivalente a uma usina a carvão de 500 MW a cada dois dias e meio, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

O Euractiv explica que a UE defende a inclusão da tecnologia de captura e armazenamento de carbono tanto nas discussões do novo tratado climático, como no restante do período de vigência do Protocolo de Quioto.

Fonte: Euractiv
(Envolverde/CarbonoBrasil)

América Latina na Terceira Conferência Mundial sobre o Clima

quarta-feira, 01 de julho de 2009.

América Latina na Terceira Conferência Mundial sobre o ClimaCriar um marco mundial para os serviços climáticos que ajude a todos os setores a adaptarem-se às mudanças do clima e melhorar a gestão de riscos é o principal objetivo da Terceira Conferência Mundial sobre o Clima (CMC-3) que se realizará em Genebra, Suíça, em agosto próximo.

Os detalhes desse encontro serão entregues em uma coletiva de imprensa que se realizará na próxima terça-feira, 30 de junho, às 11h na sede da Cepal em Santiago de Chile (Sala Celso Furtado, Av. Dag Hammarskjöld 3477, Vitacura).

A informação será entregue por Myrna Araneda, Diretora da Secretaria Meteorológica do Chile; o Embaixador Baldemar Coutts, da Secretaria de Meio Ambiente e Antártica da Chancelaria chilena; e Marianne Schaper, Oficial de Assuntos Econômicos da Divisão de Desenvolvimento Sustentável e Assentamentos Humanos da Cepal, divisão que se especializa em temas de mudança climática.

Coordenada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), a CMC-3 reunirá, entre 31 de agosto e 4 de setembro de 2009, científicos, autoridades encarregadas de normativas ambientais e de gestão dos riscos do clima e líderes empresariais.

Espera-se que a CMC-3 conquiste ações a nível mundial que melhorem a capacidade para prestar serviços de informação e previsão do clima; que apoie medidas para reduzir riscos de desastre; e que potencialize o desenvolvimento socioeconômico e as iniciativas que fomentam a adaptação da variabilidade do clima.
(Envolverde/Adital)

Projeto que trata de resíduos sólidos é apresentado na Fiesp

terça-feira, 30 de junho de 2009.

Projeto que trata de resíduos sólidos é apresentado na Fiesp“A sustentabilidade veio para ficar”, afirmou o deputado Arnaldo Jardim.

O Conselho Superior de Meio Ambiente recebeu o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), na última terça-feira (23´/06), para tratar sobre “A política nacional de resíduos sólidos”. O parlamentar é o responsável pelo parecer da proposta de Política Nacional de Resíduos Sólidos da Câmara Federal.

No projeto de lei está, segundo o deputado, “a inclusão do conceito da responsabilidade compartilhada, em que governo, empresas e sociedade são solidários pelo ciclo de vida do produto”.

Outro ponto do projeto “é a elaboração de um inventário nacional sobre a produção, transporte e destinação final dos resíduos gerados, além de um sistema declaratório anual”, afirmou Jardim.

Também se estabelece, no projeto, o princípio da logística reversa, em que os produtores de resíduos se responsabilizam pelo retorno de embalagens e produtos, para ciclo de reutilização ou reciclagem.

Entre os segmentos que deverão implementar o sistema estão os ramos de agrotóxicos, pilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes, pneus e produtos eletrônicos.
(Envolverde/Fiesp)